Negócios de empresas em crise reputacional e o seu futuro

Em determinado momento, um conjunto de fatos associados produzem uma crise reputacional em um bom negócio, bem administrado, até mesmo por pessoas sem qualquer responsabilidade direta pela origem da má imagem. A cultura tende a associar nomes e sobrenomes, empresas e pessoas e, pior, a explorar esses fatos para depreciar o negócio e gerar oportunidades muitas vezes irrazoáveis. O que fazer?

Ao longo de meses fomos desafiados a estruturar operações de aquisição e alienação de  ativos/negócios em situações peculiares. Os negócios a que estamos nos referindo, pela sua essência, eram saudáveis, geradores de caixa e tinham perspectiva de crescimento. Mas, por conta de quem os detêm e controla, esse mesmo bom negócio perde valor da noite para o dia: pelo fato de pertencer ao “grupo tal”.

Diante de um negócio obviamente saudável e em um segmento em alta, o risco reputacional perde significância na avaliação de compra. Mas, e aqueles negócios não tão óbvios, cujo segmento ainda se recupera em cenário crítico de mercado, porém bem administrados, geram caixa, e foi assolado por mais um fator de dificuldade: a crise reputacional de seu controlador?

Tradicionais linhas de financiamento se tornam caras ou até desaparecem. Clientes se afastam reduzindo ou cancelando negócios. Colaboradores chaves começam a testar o mercado. Um efeito em cascata começa a destruir valor de um bom negócio.

Sob a perspectiva de quem detém e controla o negócio –o “causador” da crise – o raciocínio natural é de atacar o problema na sua raiz: governança corporativa, programas de compliance, injeção de recursos próprios ou venda desse ativo antes que perca mais valor. Investimentos esses que, com exceção da alternativa de venda do ativo, demoram para mostrar resultados, apesar de louváveis.

A alternativa de fazer caixa rápido com a venda de ativos saudáveis apresenta a sua dificuldade. Ao se mandatar alguém para a venda do ativo, o assessor financeiro se depara com uma equação difícil de se resolver. Como precificar o risco reputacional do “grupo”? Qual o limite de desconto aceitável por conta desse risco?

Por que devo queimar um bom negócio se tenho caixa para financiar a sua atividade até a crise passar? Diante da dúvida, o “grupo tal” sentencia: “se o desconto exigido for muito alto, prefiro investir e manter o meu negócio”. Entra em cena outra equação de difícil resolução: por que o dinheiro do “grupo” parece valer menos?

O potencial adquirente também se depara com uma pergunta de difícil resposta: qual o valor que reflete corretamente o risco reputacional associado ao ativo se e quando da sua materialização?

As preocupações postas pelos dois lados têm seus fundamentos, mas fato é que vendedor não se dispõe a sofrer desconto de algo não materializável, subjetivo, nem o comprador tem apetite para tal risco.

O exercício aqui proposto é de aproximar os dois polos que se repelem ante o “risco reputacional”, de difícil precificação.

Separar o controle da propriedade

O negócio é detido, controlado pelo “grupo tal”. Portanto, esse ativo sofre as restrições do tal “grupo”. Seja para emprestar dinheiro novo, rolar dívida tomada, seja na imagem perante o cliente e sua decisão de compra.

Quem detém um negócio não precisa ser necessariamente quem o controla. E é exatamente nessa diferença que enxergamos a possibilidade de se afastar do bom negócio o risco reputacional de quem o detém.

Normalmente, quem detém o negócio também o controla. Controlador e proprietário se confundem. Isso ocorre no Brasil na esmagadora maioria dos casos.

Entendemos que o risco reputacional do “grupo tal” contamina seu bom negócio pela via do controle, mas consideravelmente em menor escala pela via da propriedade.

Como separo o controle da propriedade de um negócio? O corpo de administradores do negócio deverá ser empoderado e alçado ao posto de controlador do negócio. A gestão do negócio deverá ser segregada da influência dos proprietários e originadores da crise reputacional.

A administração blindada ou renovada (conforme o caso) para a preservação de valor do negócio

A administração e os membros que a compõe passarão por escrutínio de avaliadores independentes. Caso se aponte a necessidade de renovação, o time de gestores já terá poderes de contratar os novos membros.

A estrutura colegiada de administração, composta por membros previamente avaliados e renovados, passa a ser um requisito importante para a eficiente “mudança de controle”.

O que irá se ofertar é o controle, dissociado da propriedade

O ativo a ser ofertado consistirá no negócio sob o controle de um time de administradores blindados contratualmente e fora do alcance de influência do antigo controlador, agora “investidor passivo”. O novo adquirente do controle irá remunerar a compra se comprometendo a capitalizar o negócio (cash-in) e atraindo novas linhas de financiamento.

O valor atribuído à propriedade sofrerá desconto (prêmio pelo risco assumido) em caso de oferta ao terceiro adquirente. Eventual contingência oriunda da contaminação do “risco reputacional” do antigo controlador será garantida pela propriedade detida por este último.

Estipula-se um cronograma de chamadas de compra da participação passiva detida pelo antigo controlador, aplicando-lhes fórmula de pagamento conforme indicadores de sucesso da operação de valorização do bom negócio.

Pressupostos fundamentais

  • Avaliação, renovação e blindagem da administração
  • Determinação do prazo para o empoderamento da administração e afastamento do
    “grupo” do controle
  • Determinação de incentivos da administração para a alienação do negócio
  • Potencial adquirente assume o compromisso de remuneração da administração e
    continuidade do negócio (financiamento)
  • Novo adquirente passa a controlar de fato e de direito o negócio
  • Determinação do cronograma de chamadas de compra de participação e métricas para cálculo do prêmio ao ex-controlador

Censo Anual de Capitais Estrangeiros – 2018

A Declaração do Censo Anual de Capitais Estrangeiros no País deve ser transmitida ao Banco Central do Brasil. Essa exigência está prevista na Lei nº 4.131/62, artigos 55, 56 e 57. O Censo foi instituído pela Circular BACEN nº 3.602/2012 e tem como objetivo recolher informações sobre o passivo externo do País, entre eles investimentos estrangeiros diretos e instrumentos de dívida externa.  

Devem prestar a declaração ao Banco Central do Brasil (Circular BACEN nº 3.602/2012, art. 2º):

 I.   As pessoas jurídicas sediadas no País, com participação direta de não residentes seu capital social independentemente do valor, e com patrimônio líquido igual ou superior ao equivalente a US$100 milhões de dólares na data-base de 31 de dezembro do ano anterior (a taxa de conversão é o da data-base de 29/12/2017 – US$1,00 = R$3,30);

II.  Os fundos de investimento com cotistas não residentes e patrimônio líquido igual ou superior ao equivalente a US$100 milhões na data-base de 31 de dezembro do ano anterior, por meio de seus administradores; e

III. As pessoas jurídicas sediadas no País, com saldo devedor total de créditos comerciais de curto prazo (exigíveis em até 360 dias) concedidos por não residentes igual ou superior ao equivalente a US$100 milhões na data-base de 31 de dezembro do ano anterior.

Em 2018 o período para declaração inicia-se em 01 de julho e termina às 18horas do dia 15 de agosto.

Quem está obrigado e realizar a entrega fora dos prazos legais ou prestar informações falsas, incompletas ou incorretas, poderá arcar com multas que variam de 1% do valor sujeito à declaração, até no máximo de R$ 250 mil (Resolução BACEN nº 4.104/2012).

Vale lembrar que existe o Censo Quinquenal, mas como como o último foi realizado em 2016, o próximo deverá ocorrer somente em 2021, com data-base em 31 de dezembro de 2020.

“Por que a CVM está protegendo investidores de equity crowdfunding?”

Assim começa o artigo de nossa advogada, Luiza Balthazar, publicado hoje no LinkedIn.

Luiza traz uma visão clara sobre como a regulamentação da CVM sobre equity crowdfunding pode ser um instrumento de proteção dos investidores.

Leia na íntegra aqui.